Passo meus dias sendo assombrada por pensamentos divergentes sobre duas pessoas. Uma tem meu coração e meus joelhos no chão. A outra tomou conta da minha curiosidade e é dona da minha racionalidade. Por uma eu já me arrastei, e ainda ando de joelhos, como quem paga uma promessa – ou implora. Outra parece ter os braços abertos, esperando por um abraço.Uma é intensa, me faz sentir submissa – em especial ao me prender contra parede, me mostrando o quanto é ‘desinibida’. A outra, que ainda conheço tão pouco, quer conversar e me faz sentir igual enquanto dança comigo.
Enquanto eu conquisto o coração de uma, bombardeando as muralhas de gelo construídas ao redor dele, a outra mostra-se sem medo.
Enquanto uma tem o passado pesado e vivo, a outra quer viver o agora.
Enquanto uma precisa pensar, planejar, ensaiar, e repensar suas próximas palavras, a outra usa meia dúzia de palavras claras, simples e eficientes.
Uma é tão complexa, que nem com todo o tempo que já dividimos foi capaz de perceber o que sinto. A outra não precisou de mais de cinco minutos para entender (e compreender e aceitar) minha confusão.
Uma quer ser conquistada, a outra quer dividir.
Uma é ambígua – tal qual meu sentimento por ela. A outra é transparente.
Por uma eu espero, a outra diz que me espera.
Eu fiz um acordo com uma, e a outra me respeita por isso.
E, por esse acordo, eu perco a outra, sem ter certeza se tenho Uma.
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