sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A Outra ;

Passo meus dias sendo assombrada por pensamentos divergentes sobre duas pessoas. Uma tem meu coração e meus joelhos no chão. A outra tomou conta da minha curiosidade e é dona da minha racionalidade. Por uma eu já me arrastei, e ainda ando de joelhos, como quem paga uma promessa – ou implora. Outra parece ter os braços abertos, esperando por um abraço.
Uma é intensa, me faz sentir submissa – em especial ao me prender contra parede, me mostrando o quanto é ‘desinibida’. A outra, que ainda conheço tão pouco, quer conversar e me faz sentir igual enquanto dança comigo.
Enquanto eu conquisto o coração de uma, bombardeando as muralhas de gelo construídas ao redor dele, a outra mostra-se sem medo.
Enquanto uma tem o passado pesado e vivo, a outra quer viver o agora.
Enquanto uma precisa pensar, planejar, ensaiar, e repensar suas próximas palavras, a outra usa meia dúzia de palavras claras, simples e eficientes.
Uma é tão complexa, que nem com todo o tempo que já dividimos foi capaz de perceber o que sinto. A outra não precisou de mais de cinco minutos para entender (e compreender e aceitar) minha confusão.
Uma quer ser conquistada, a outra quer dividir.
Uma é ambígua – tal qual meu sentimento por ela. A outra é transparente.
Por uma eu espero, a outra diz que me espera.
Eu fiz um acordo com uma, e a outra me respeita por isso.
E, por esse acordo, eu perco a outra, sem ter certeza se tenho Uma.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

morte de uma amizade ;

- Te fiz alguma coisa? Tu tá de cara? Ou simplesmente resolveu me ignorar?
- ...
- Porquê?
- A gente não vibra mais na mesma freqüência.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Casa na árvore

Eu procurei diversas frases para começar esse escrito, e as únicas que me vieram em mente são aquelas que destaquei no livro “A paixão segundo G.H".
A primeira frase foi essa: “Mas tenho medo do que é novo, e tenho medo de viver o que não entendo – quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.”
Isto faz muito sentido na minha vida. Eu sou e sempre fui muito medrosa – em todos os sentidos – e muito insegura. Sempre desconfio do que eu e do que os outros sentem, e das situação que eu passo – para mim, são sempre ambíguas. Então, tenho tendência a levar tudo nos extremos, 8 ou 80. E acabo sempre virando um tipo de líder natural, não pela capacidade de organização, mas pelo excesso de controle sobre as situações.
E, estranhamente, essa frase, que uso tanto para definir o jeito que conduzo as coisas, é contraditória ao que sinto nesse momento.
Estou trilhando um caminho que sei onde vai dar. Não por já ter o trilhado muitas vezes, mas por ter trilhado uma vez só, duradouramente, e bem feita. Porém, não é de hoje que um sentimento novo tem dado as caras – justo agora, que as coisas pelas quais ansiei/lutei/esperei estão se concretizando.
Um sentimento de... liberdade? Não é bem a palavra! O que sinto é uma vontade espantosa de largar as redes em que me seguro e me jogar no desconhecido – por menos desconhecido que seja ou pareça ser. Uma vontade de trocar o chão firme (ou o chão que vem se firmado, com muita da minha ajuda) pela sensação de impotência da queda livre.
A questão é: será que vale a pena trocar tudo aquilo que eu tenho cultivado, que não era nada – NADA – no início e que agora vem crescendo timidamente, por algo insólito mas sem futuro, que me durará apenas algumas boas horas de diversão e lembranças?
Devo deixar que morra o pequeno broto, delicado, bonito, por aquele balanço de pneu na árvore, forte e vistosa, no topo do morro, mas cujas cordas logo se arrebentarão?
Talvez eu devesse cultivar o meu broto, e esperar pelo dia em que eu possa sentar debaixo de sua árvore para ver o sol se por. Talvez eu não sinta a excitação toda de um balanço, mas certamente terei o sossego e o alento de uma casa na árvore.

Fracassada. É.

Eu quis te proteger. Eu quis ser as asas de anjo, a rede protetora, o respirador. Almejei demais. Eu quis ser os braços que aparam a queda, as mãos que detém do abismo. Eu estendi as minhas mãos e você apenas tocou a ponta dos meus dedos. Mas, hesitando, você tornou a olhar para trás e o escuro foi mais atraente que minhas mãos estendidas. Em segundos, você destruiu o esboço do que seria ‘nós’ um dia, e se tornou rude e segura como nunca eu vi. Envergonhada e machucada, eu recolhi meus braços quebrados, e enfiei meus sonhos e planos dentro de uma mala, para sair pela porta de trás, sem palavras, apenas...fracassada.

(Ah, talvez esse, depois dos 7362 blogs que eu tive, funcione.)